SABORES E DISSABORES DE NOSSAS EMOÇÕES

A vida do ser humano é rica em emoções. Sem elas viver não teria riqueza, brilho e significado. São as emoções que nos permitem ter conexão com as outras pessoas. Através das emoções identificamos nossas necessidades, nossos desejos, nossas frustrações; reconhecemos nossos direitos, nossos objetivos; descobrimos nossos erros e nos propomos a mudar. Pelas emoções podemos fugir de situações difíceis e nos aproximarmos daquelas que nos são prazerosas.

 

As pessoas diferem quanto a como lidar com suas emoções. Algumas interpretam de forma equivocada suas emoções, pensando que não podem suportá-las, outras tentam controla-las, suprimi-las ou expressá-las. Devido a essa forma peculiar de lidar com as emoções, as pessoas também desenvolvem estratégias especificas que acreditam serem necessárias para lidar com as emoções. 

 

Estudos recentes mostram que existem quatro emoções consideradas primárias ou inatas e que estão presentes em todas as culturas independentemente da sociedade e da personalidade e que são demonstradas através da expressão facial. São elas: felicidade, tristeza, raiva e medo.

 

Além dessas, existem também as emoções secundárias ou sociais que são mais complexas que as primárias. Elas são influenciadas pelas variáveis culturais e sociais, ou seja, elas podem ser aprendidas. Entre estas estão culpa, vergonha, inveja, compaixão, orgulho, simpatia, desprezo, etc.

 

Por outro lado, estudos mostram que nosso funcionamento cerebral abriga um “Centro de Recompensa” e um “Centro de Punição”.  No Centro de Recompensa estão as emoções de prazer e satisfação, enquanto no Centro de Punição estão as emoções de desgosto e aversão.

 

Sendo assim, estamos atuando no Centro da Recompensa quando estamos apaixonados e sentimos um prazer imensurável ao estar com a pessoa amada ou quando estamos comendo algo delicioso.

 

Por outro lado, estamos atuando no Centro da Punição, quando sentimos ansiedade, por exemplo, uma vez que a ansiedade envolve sentimentos de medo em relação a alguma coisa. Também é esse centro que se ativa no caso da depressão, visto que abrigamos sentimentos terríveis em relação a nós mesmos, à vida e ao futuro.

 

Fato é que todas as emoções atuam dentro de nós em algum momento da nossa vida: alegria, tristeza, raiva, decepção, mágoa, medo, inveja, desprezo, angústia, confusão, desesperança, etc. Todas essas emoções são naturais e necessárias à nossa vida. Elas podem ser a diferença entre viver e morrer. Por isso, seja qual for a emoção, ela em si não é o problema, mas sim o que fazemos a partir dela.

 

Precisamos aprender a reconhecer nossas emoções, aceitá-las, utilizá-las em nosso benefício e continuar a funcionar apesar delas.  Quando não as reconhecemos ou as negamos, estamos em maus lençóis. Por exemplo, sentir raiva de alguém por algo que nos tenha feito pode nos levar a sentir vontade de matá-lo. Porém, da vontade ao ato vai uma grande distância. Uma coisa é o que sentimos, outra coisa é o que fazemos com aquilo que sentimos. Se formos capazes de reconhecer essa emoção e de lidar com ela como um fato natural naquele momento, podemos elaborá-la e dar-lhe outra destinação. Podemos reconhecer nosso direito de estar com raiva por termos sido prejudicados, mas temos também que reconhecer que esse direito não nos permite tirar a vida do outro. O fato de reconhecer que não devemos prejudicar o outro não significa que apoiamos o seu comportamento ou que ele não nos afetou.

 

Nessa mesma linha de raciocínio temos o caso da paixão avassaladora. O fato de estar apaixonado por alguém não deve ser motivo para aceitar qualquer coisa que essa pessoa queira nos fazer. Submeter-se à desconsideração, desrespeito, agressividade e violência, já sai da esfera do afeto e entra na esfera das relações destrutivas e doentias. Ser capaz de reconhecer nosso sentimento pela pessoa é tão importante quanto reconhecer que não merecemos e não permitiremos que nos tratem de forma inadequada ou abusiva.

 

Quando não estamos em condições de reconhecer e elaborar nossas emoções e continuar funcionando de forma saudável apesar delas, precisamos de ajuda. Precisamos descobrir o que está nos impedindo de transitar por essas emoções de forma saudável. O que nos faz supor que não seremos capazes de suportar uma dose de tristeza ou de sofrimento? Que tipo de crenças errôneas estão escondidas dentro de nós e que precisamos descobrir para poder acreditar que somos capazes de lidar com certos sofrimentos, desgostos e decepções e supera-los? A capacidade de superação do ser humano é incalculável! Jamais julgue que você não pode superar suas emoções! Emoções podem ser controladas; temperamento pode ser educado.

 

Graça Oliveira

Psicóloga Clinica

Abordagem Cognitivo-Comportamental