SOBRE AS NECESSIDADES EMOCIONAIS BÁSICAS DA CRIANÇA

Quem foi que disse que educar filhos é uma tarefa fácil? Jamais foi e jamais será.  Além do gasto de energia física que envolve todas as tarefas manuais, práticas e obrigatórias de todo dia, como trocar fraldas, dar banho, alimentar e etc.,  os pais também se deparam com preocupações emocionais, do tipo: “será que estou educando corretamente?”, preocupação esta que envolve grande gasto de energia emocional. Isso sem falar que,  muitas vezes, ainda há a preocupação com a área financeira, que envolve dar sempre o melhor para os filhos, em termos de educação escolar, saúde, alimentação e lazer.

 

Como se tudo isso não bastasse,  as crianças têm necessidades emocionais básicas que precisam ser preenchidas para que possam se tornar adultos integrados, saudáveis e amadurecidos. Por mais maravilhosos que possam ser os pais, a maioria desconhece essas necessidades emocionais e, além disso, eles têm suas próprias necessidades, o que acaba impedindo que eles atendam suas crianças de forma a impedir futuros problemas emocionais. Obviamente que cada pessoa possui suas crenças, valores e ideias  sobre qual a melhor forma de educar seus rebentos. Mas o fato de conhecer as necessidades básicas das crianças poderá ajudar os pais a ajustar o que desejam para que seus filhos sejam crianças e adultos mais felizes.

 

Segundo Young,  Klosko, Weishaar e col. (2008),  a criança tem necessidades emocionais de: 1) Vínculos seguros (que envolvem segurança, estabilidade, cuidado e aceitação); 2) Autonomia, competência e sentido de identidade; 3) Liberdade de expressão, necessidades e emoções válidas; 4) Espontaneidade e lazer; 5) Limites realistas e autocontrole.

 

As crianças que não têm suas necessidades emocionais básicas atendidas acabam desenvolvendo fortes esquemas que as acompanharão para o resto da vida e influenciarão negativamente sua forma de sentir e de se comportar. Esses esquemas podem também contribuir para o surgimento de diversos transtornos psicológicos, como depressão, ansiedade generalizada, ansiedade social, dependência emocional, narcisismo, psicopatia, etc.

 

De acordo com Young (2008),  Esquema é “um padrão amplo difuso, formado por memórias, emoções e sensações corporais, relacionado a si próprio ou aos relacionamentos com outras pessoas que é desenvolvido durante a infância e disfuncional em nível significativo”. Mas, o que isso quer dizer, afinal? Que o ser humano registra suas experiências e situações cotidianas através da Amigdala, que é uma estrutura cerebral que forma parte do sistema límbico e tem como função principal ativar e gerenciar as emoções. É na Amigdala, que está registrado o condicionamento do medo e do trauma, e é lá que estão guardados cuidadosa e protegidamente os Esquemas. Os Esquemas surgem devido a eventos traumáticos, maus tratos ou experiências nocivas repetidas regularmente durante a infância e adolescência. Mas, existem outros fatores que potencializam os esquemas, sobre os quais falaremos em breve.

 

Os Esquemas foram formados na Amigdala, que é uma estrutura que processa a informação de forma inconsciente, rápida e automática.  Devido a essas características da Amigdala, as memórias emocionais dos eventos traumáticos ou comportamentos equivocados que aprendemos na infância e que nos levaram desenvolver os esquemas, jamais serão apagados. Mas podemos aprender a controlar os comportamentos que os esquemas nos levam a executar, depois que descobrimos quais esquemas nós desenvolvemos em nossa infância.  Por outro lado, como a Amigdala também não consegue discriminar entre eventos passados e presentes,   toda vez que nos deparamos com uma situação que nos lembram aquelas que fizeram surgir os esquemas, nós ativamos determinado esquema e vamos reagir diretamente influenciados por esse esquema específico. Enquanto não temos conhecimento de que estamos agindo movido dos pelos esquemas, não podemos lutar contra eles e, por isso, eles seguirão influenciando negativamente nossa vida.

 

Como estamos falando de educação infantil, vamos discorrer nos artigos desse tema, sobre todas essas necessidades emocionais fundamentais da criança. Também falaremos sobre outros motivos que contribuem para a formação dos Esquemas,  para que ao conhecê-los, os pais possam melhor escolher a forma de como lidar com seus filhos, minimizando o desenvolvimento de Esquemas que poderão prejudicar muito a vida deles no futuro.

 

Graça Oliveira

Psicóloga Clínica

Abordagem Cognitivo-Comportamental