SOLUÇÃO DE PROBLEMAS: Equilibrando Empatia e Assertividade

A capacidade de solucionar problemas é um dos componentes das Habilidades Sociais.  Quando a pessoa utiliza a Empatia e a Assertividade em seus relacionamentos, ela está muito mais propensa a solucionar problemas de forma mais justa para todos os envolvidos.

 

O processo de solucionar problemas de forma habilidosa possibilita ao indivíduo alcançar o que ele deseja de forma mais efetiva. Além disso, permite às pessoas reduzir conflitos nas interações, aumentar a segurança e o senso de autoeficácia, encorajar a tentativa de novas maneiras de pensar e agir, facilitando o desenvolvimento de novas aptidões. Em contrapartida, pesquisas mostram que estratégias não efetivas em lidar com problemas podem criar ou aumentar as dificuldades pessoais e interpessoais.

 

Durante muito tempo os humanos tentaram resolver os problemas através da tentativa e erro. Esse método resultava em  muitos erros antes de se chegar ao acerto. Mas estudos atuais têm revelado que existem certas etapas que devem ser observadas para se chegar à solução dos problemas de forma mais efetiva.

Quando se fala em solucionar problemas temos que separar os problemas internos que dependem apenas do próprio indivíduo daqueles que envolvem outras pessoas e que por isso devem ser resolvidos em conjunto. Neste artigo vamos focalizar a solução de problemas que envolvem outras pessoas.

 

Em primeiro lugar é preciso que o indivíduo reconheça que tem um problema a ser solucionado. Isso se revela através dos pensamentos que se repetem em torno do assunto e dos sentimentos desconfortáveis como, irritação, apreensão, medo, tensão, frustração, mal estar,  que ocorrem diante de tais pensamentos. Esses pensamentos e sentimentos conduzem o indivíduo a comportamentos que podem denotar dúvidas sobre o que fazer, como por exemplo, perguntar a opinião de alguém ou a comportamentos agressivos, como por exemplo, gritar com alguém, bater a porta ao sair.  É de fundamental importância que a pessoa reconheça de forma consciente que todos esses pensamentos, sentimentos e comportamentos são indicativos de que ela tem um problema a ser resolvido.

 

Depois a pessoa precisa definir o seu problema, descrevendo-o de forma clara e objetiva, sem tirar conclusões precipitadas, sem emitir juízos de valor e sem avaliar o comportamento da outra pessoa. Entretanto, é necessário que ela  use a assertividade para identificar os seus próprios desejos em relação à situação perguntando-se: “o que eu desejo,  de verdade,  nessa situação ou dessa pessoa?” Também é necessário identificar os desejos da outra pessoa, para que possa agir de forma empática ao mesmo tempo em que procura solucionar o problema. Ao tentar identificar os desejos do outro, a pessoa deve se perguntar “O que eu desejaria se eu fosse a outra pessoa e estivesse nesta situação?”. Essa é uma pergunta que revela empatia e sensibilidade em relação à outra pessoa.

 

É necessário também que a pessoa formule soluções alternativas e avalie as consequências sociais e éticas dessas alternativas antes de decidir conversar com a pessoa em questão.

O próximo passo é discutir de forma socialmente habilidosa com a outra pessoa, expondo o problema e as soluções aventadas e perguntar a opinião da pessoa sobre tudo isso.  Esse momento pode ser bastante difícil dependendo da pessoa com quem você ira discutir a solução do problema. Entretanto, a pessoa socialmente habilidosa é capaz de negociar durante o tempo que for necessário, buscando um equilíbrio capaz de atender tanto aos seus desejos quanto aos desejos do outro. O objetivo é que ambos consigam abrir mão de determinadas posições e possam ceder em alguns aspectos, visando uma solução mais justa e equilibrada do problema. 

 

Discutir problemas com alguém é muito mais fácil quando se utiliza a empatia para se colocar no lugar da outra pessoa, bem como a assertividade para expor claramente os próprios desejos, necessidades e opiniões.  Sendo assim, quando cada um está disposto a ceder um pouco, pode-se encontrar uma solução mais equilibrada e justa que possa atender em parte as necessidades dos envolvidos, além de se manter relacionamentos mais saudáveis e harmoniosos.

 

Graça Oliveira

Psicóloga Clínica

Abordagem Cognitivo-Comportamental