TIPOS DE COMPORTAMENTO - 1  Passivo

"Não devo desagradar as pessoas"

Quando falamos em Habilidades Sociais não podemos deixar de mencionar os tipos de comportamentos passivo, assertivo e agressivo. Cada um desses comportamentos está diretamente relacionado com os componentes das habilidades sociais. Falaremos sobre cada um separadamente.

A pessoa passiva é aquela que não defende seus direitos, sentimentos e crenças ou os defende de forma tão tênue que as outras pessoas não a levam em consideração.  Geralmente é vista como uma pessoa boazinha, de quem todos gostam, porque sempre concorda com todos. Mas o fato de ser querida, não significa que seja respeitada. É uma pessoa que prima pela empatia, uma vez que não gosta de decepcionar e nem de deixar as outras pessoas sem jeito.

Como é impossível nunca decepcionar ninguém, a pessoa passiva vive num estado de constante atenção, tentando poupar as pessoas de lidarem com suas próprias frustrações e problemas. Sem perceber ela está assumindo para si a responsabilidade de poupar o outro, mesmo que isso represente a violação dos seus direitos. Isso por si só, já seria um grande prejuízo para a pessoa passiva, mas, além disso, é comum ela ser rodeada por pessoas que acabam se aproveitando do fato de que ela nunca consegue dizer não.  

Geralmente a pessoa passiva desenvolveu ao longo de sua vida uma baixa autoestima e uma insegurança que a impedem de se posicionar de forma assertiva. É possível que em sua história de vida, ela tenha adquirido o receio de perder o afeto de pessoas importantes, caso ousasse dizer o que estava pensando e sentindo. Assim ela cresce tentando ser apreciada e querida ao custo de anular seus próprios direitos. Tendendo para a timidez, ela pode desenvolver Fobia Social ou Ansiedade Social, o que pode atrapalhar muito sua vida social, profissional e afetiva.

O comportamento da pessoa passiva se revela através de uma fala hesitante e trêmula. Pode ter dificuldade de olhar nos olhos da pessoa com que está falando. Costuma se desculpar ou se justificar de forma excessiva. Faz rodeios para dizer algo, pode gaguejar ou ficar muito tempo calada.  Sua postura corporal pode ser curvada. Tende a desviar o olhar, olhar para baixo ou torcer as mãos enquanto fala com outra pessoa. Muitas vezes, revela um sorriso constrangido ao ser criticado.

A crença errônea da pessoa passiva é de que ela não é importante, por isso o que ela sente não tem valor para os outros. Seus pensamentos automáticos giram em torno de que se disser o que pensa poderá magoar ou perturbar os outros; se disser “não” será vista com egoísta e má e, consequentemente não será amada.

Mas é preciso esclarecer que, sem que a pessoa tenha consciência disso, existem ganhos e perdas nesse tipo de comportamento passivo. Como ganhos: a pessoa reduz sua ansiedade no curto prazo, uma vez que evita conflitos; pode ser vista e elogiada como sendo altruísta, o que é bastante agradável; nunca é culpado quando as coisas dão errado; e sempre encontra alguém que, aparentemente, irá protegê-la. 

Por outro lado, as perdas se apresentam através: do acúmulo do stress, que pode ir crescendo silenciosamente e culminar numa explosão de agressividade repentina; do aprisionamento em relações insatisfatórias ou abusivas; da submissão às exigências descabidas de outros; da traição a si mesmo para passar a imagem de uma pessoa adorável; da baixa autoestima, uma vez que não consegue ser seu advogado de defesa; do acúmulo de raiva e frustração que tudo isso traz por não conseguir expressar seus verdadeiros sentimentos.

A pessoa passiva tende a perder muitas oportunidades em sua vida, por não saber se posicionar de forma firme. Ela também está muito mais exposta a vivenciar situações de desrespeito do que outra pessoa que sabe colocar limites em seus relacionamentos.  De qualquer forma, é importante saber que o comportamento passivo pode ser trabalhado e a pessoa não precisa deixar de ser gentil e amável para se sentir respeitada diante de si e do mundo.

 

Graça Oliveira

Psicóloga Clínica

Abordagem Cognitivo-Comportamental