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EMPATIA x  SATISFAÇÃO CONJUGAL

O ser humano não nasceu para viver só. Ele precisa de gente, de movimento, de calor humano, de se sentir integrado e acolhido. Por isso, a maioria das pessoas acalenta o sonho de se casar, formar uma família e ter filhos. Assim, elas buscam desde muito cedo encontrar aquela pessoa que irá preencher suas mais valiosas esperanças e acalentar suas mais caras necessidades emocionais.

Um belo dia, elas entendem que, finalmente, encontraram essa pessoa tão esperada e desejada. E partem para o casamento.  Numa cerimônia belíssima, regada a promessas de amor eterno, o casal faz seus votos matrimoniais, jurando ficar juntos “até que a morte os separe”.

Mas, as estradas tortuosas da vida em comum, cheias de encruzilhadas de adaptação à nova condição de casados, curvas de preocupações cotidianas, esquinas de excesso de trabalho, aclives de expectativas irrealistas e declives de decepções vão minando, pouco a pouco, todo aquele sonho alimentado durante anos e anos de viver eternamente com a pessoa amada.  E um dia, o casal, desiludido, entrega os pontos e resolve que “não dá mais pra segurar”, decidindo que a separação é um caminho menos sofrido a ser percorrido. Mas até chegar a essa conclusão o casal já passou por uma verdadeira via crucis. Muitas vezes, eles sabem o que não está indo bem no relacionamento, mas não sabem o que fazer para resolver o problema.

Os últimos dados do IBGE, publicados no final de 2015, revelam que, em dez anos houve um aumento tanto na taxa de casamentos no Brasil, quanto na de divórcios. Em relação ao mundo todo, essas estatísticas não são diferentes. Isso tem despertado cada vez mais a atenção de pesquisadores que se interessam pelo tema. Por outro lado, uma quantidade cada vez maior de casais tem buscado ajuda através de terapia para melhorar seus relacionamentos e evitar, assim, a separação.

É fato que ser feliz no casamento envolve uma série de variáveis que vão desde a personalidade dos parceiros até sistema de crenças e valores, passando por necessidades diversas, níveis sociocultural e econômico, sexo, etapa de vida, só para citar alguns.

Neste artigo nós vamos nos ater à importância da   EMPATIA  na satisfação conjugal. Tanto as pesquisas quanto nossa experiência clínica tem revelado que a ausência de empatia é responsável por um percentual considerável de insatisfação conjugal, o que consequentemente pode levar ao divórcio.

Os relacionamentos em que ambos os parceiros carecem de empatia tendem a apresentar alto grau de insatisfação conjugal, levando a união a se dissolver mais rapidamente. O fato de cada um dos parceiros não estar aberto para ouvir os motivos do outro e nem de se sensibilizar com seus sentimentos e necessidades, é responsável por esse desfecho.

Por outro lado, aqueles relacionamentos em que, pelo menos, um dos parceiros é empático tendem a ter uma vida um pouco mais longa. Isso acontece devido a capacidade do parceiro empático se colocar no lugar do outro, de tentar compreender seus sentimentos e de perdoar.  A empatia favorece a tolerância, permitindo, assim, encontrar soluções para os problemas. Porém, se o outro parceiro, se mostra agressivo e insensível demais às necessidades do parceiro empático, com o tempo este vai se cansando e perdendo a esperança de conseguir ser compreendido e de chegar a um acordo com o seu par. É comum em nossa prática clínica ouvir de um parceiro empático que chegou ao limite de sua resistência, se ressentir dizendo: “é como se eu gritasse no deserto, e ele/ela não me ouve! ”

Os relacionamentos que tem se revelado mais duradouros são aqueles em que ambos os parceiros declaram sentir maior satisfação conjugal, fato que ocorre com mais frequência quando os dois parceiros são empáticos. A empatia reduz os conflitos, melhora a qualidade das relações, aumenta o vínculo com a outra pessoa porque desperta afeto e simpatia, além de provocar efeitos pessoais positivos, isto é, a pessoa se sente bem sendo empática.   O comportamento empático permite que ambos ouçam com atenção o que o outro está dizendo e sentindo. Ao ser ouvido com atenção e respeito, o parceiro se sente acolhido e compreendido, o que favorece a livre expressão de seus verdadeiros sentimentos e motivos. Os casais empáticos são mais pacíficos e compreensivos, relevam os desentendimentos, não guardam rancor, evitam se reportam a situações passadas para culpar um ao outro e apresentam maior disponibilidade para o outro. Parece que o fato de estarem satisfeitos um com o outro fortalece e retroalimenta positivamente a relação. Por outro lado, essa satisfação percebida, vem do fato de terem suas expectativas iniciais atendidas, e a empatia é uma forte variável nesse sentido.

 

Tudo isso demonstra a necessidade de se desenvolver uma cultura onde a empatia possa ser cada vez mais apreciada. Como se sabe, muitos não nasceram com esse talento e não tiveram a oportunidade de lidar com pessoas empáticas de forma a modelar seus comportamentos. Felizmente, a empatia é uma habilidade que se pode aprender em qualquer idade. 

Concluímos dizendo que um relacionamento satisfatório é uma conquista diária, onde ambos os parceiros precisam estar dispostos a agir com equidade e tentar fazer isso de forma consciente.  Dar e receber na mesma proporção.  Praticar pequeninas coisas, como gentilezas e elogios sinceros, permite criar um ambiente onde a generosidade está presente e com ela, maior percepção de satisfação com o relacionamento.

Graça Oliveira

Psicóloga Clínica

Abordagem Cognitivo-Comportamental/Terapia do Esquema

 

Bibliografia

  • Oliveira, M.G.S;  Falcone, E.M.O & Ribas Jr, R.C. (2009). A avaliação das relações entre a empatia e a satisfação conjugal: um estudo preliminar. Interação em Psicologia, 13(2), p.287-298. Curitiba.

  • Sardinha A.; Falcone, E.M.O & Ferreira, M.C. (2009). As Relações entre a Satisfação Conjugal e as Habilidades Sociais percebidas no Cônjuge. Psicologia: Teoria e Pesquisa. Vol. 25 n. 3, pp. 395-402.

  • Sbicigo, J.B & Lisboa, C.S.M.(2009). Habilidades sociais e satisfação conjugal: um estudo correlacional. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas. Vol.5.n2. Rio de Janeiro.

  • http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/135/rc_2013_v40.pdf

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